O poder da Expectativa

“Não espero nada e aceito tudo”

Seria um modo de viver perfeito não seria? Viver com a capacidade de não criar aspirações e aceitar o que temos como suficiente para vivermos em paz e felizes.

Por mim falo, e sobre mim falo. Sou uma sonhadora nata, uma criadora profunda de sonhos. Não que isso seja mau, pelo contrário. É o que nos move neste universo. O sonho, a vontade de mudar e querer mais.

Portanto não é a esta capacidade de sonhar e criar que Deus nos deu que me refiro. Na realidade nós somos um milagre do caraças!

Quando iniciamos algo, seja em que campo for, vamos vivendo e trabalhando nisso conforme aquilo que sabemos, conforme o que a nossa experiência nos ensinou, aquilo que ouvimos e visualizamos. Construímos a nossa realidade consoante as nossas aprendizagens e o que imaginamos. Até aqui tudo bem.

Mas… E quando somos atordoados pelo peso de algo não correr conforme aquilo que pensámos estar saudavelmente a construir ? Algo que pensámos ter sob controlo, super controlado e, de repente, somos apanhados na esquina por algo que fugiu completamente ao nosso controlo. A expectativa de tudo correr conforme o planeado cai por terra.

A EXPECTATIVA

Essa malandra que nos persegue. A realidade é que vivemos num stress constante para corresponder a expectativas que nos foram desenhadas na cabeça desde que somos pequeninos. Realidades que nos foram incutidas e nos fazem perder o tino da vida. O propósito real e para o qual fomos desenhados. Passamos a vida a expectar! E consequentemente… A desesperar em desilusões.

A expectativa é a mais pura arte da desilusão.

Voltando um pouco acima, quando iniciamos um projecto (amoroso, profissional, financeiro) temos em conta a realidade que conhecemos e imaginamos. Temos a plena percepção do que queremos e para onde vamos. Mas, muitas vezes achando que estamos a ser super realistas, não nos apercebemos que estamos também a construir aspirações ocultas. A desenvolver um universo de expectativas que não passam de pequenas fendas capazes de destruir por completo os planos que temos.

É nisto que, pessoalmente, tenho vindo a trabalhar. Aprender a controlar essas expectativas ou, pelo menos, aprender a prever todos os cenários possíveis para que a desilusão seja minorizada ao máximo.

Com esta aprendizagem, feita em passinhos de bebé vem, com toda a clareza, a necessidade de aceitar aquilo que tenho e trabalhar com isso mesmo. Sem grandes projecções futuras, para que cada dia seja sempre aproveitado ao máximo.

Viver com a noção real do que podemos controlar e não podemos. Com a noção real de que existem fatores externos que estão completamente fora do nosso alcance. Com a noção de que sonhar é bom, é construtivo mas com a capacidade de gerir as expectativas de forma a que não exista nenhum arrependimento, desilusão e acima de tudo nenhuma perda de coragem para continuar o caminho que decidimos traçar e construir.

Da próxima vez que te sentires instável por causa das expectativas que foram criadas, relativiza, respira e aceita a realidade como ela é em vez de lutares contra ela. Atenção! Quando aceitamos as situações não quer dizer que concordemos com elas mas apenas que estamos a assumir a situação e é neste momento, em que aceitas, que também podes fazer algo para a mudar.

Ou seja, continuemos a fazer planos, a sonhar e a ter esperança, como disse inicialmente, é isso que move o universo em que vivemos. Mas não vivamos atados às expectativas. Quando nos libertamos das expectativas entramos num bailado com os nossos projectos, em que a nossa capacidade de lidar com qualquer situação se torna mais clara e óbvia. O sucesso fica, inequivocamente, mais perto.

Como alguém muito sabiamente me tem ensinado. “Um dia de cada vez.”

See you around,

Pandoritah

One thought on “O poder da Expectativa

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  1. Ora bem. O meu assunto preferido. Ou um dos meus assuntos preferidos. E tem mesmo a ver com o que falas. As expectativas e planos a longo prazo por vezes trazem a desvantagem de nós fazer desligar da análise do presente. Análise das alterações que vão acontecendo ao longo da nossa vida pode mostrar que aquilo que planeamos aos 15 já não é o que queremos aos 20. E temos duas hipóteses. Ou achas que aos 15 é que tinhas razão e que te desviaste do trajecto por factores negativos. Ou que no presente já viveste e sentiste um determinado número de experiências que te faz ter uma visão mais completa e aproximada do que realmente queres.
    Outro factor que tão bem falas é não consegues controlar as cartas que recebes quando jogas. Mas consegues jogar bem ou mal com as cartas que tens de acordo com a informação a que tens acesso. A vida é feita de informação incompleta e factores externos. Mas isso não implica que não se possa fazer o melhor com o que se tem (ou tentar) e principalmente se nós pudermos em posição de termos sucesso. As vezes com as mais pequenas coisas que são transversais a todos os campos (amorosos, profissionais etc) como alimentação, bom descanso, estabilidade emocional (meditação) e exercício físico.
    E não podemos ser igualmente demasiado resultadistas. Não é por teres perdido aquele jogo de cartas que obrigatoriamente tenhas jogado mal, ou não é por teres ganho que jogaste bem. Mas tem a ver com conseguir extrair o melhor com aquilo que se tem e se sabe. O resto é consistência. É o continuar consistente e aprender de dia para dia e analisar de dia para dia. Conhece te a ti mesmo, sabe o que queres e traça objectivos. Mas não tenhas medo da possibilidade de amanhã teres mudado de maneira que esses objectivos já não fazem sentido, porque nunca sabes como vais mudar. Amanhã analisas de novo o que és e que queres… Scio te ipsum!

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